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Um sobrevoo pelo passado do Vadico Narrações.

Vadico Aero, narrador de eventos e esportes aéreos.

VADICO NARRAÇÕES.
UM SOBREVOO PELO PASSADO

Por Vadico Aero.

Do nada eu deixei todas as atividades que fazia, e resolvi reinventar a locução dos eventos aéreos no Brasil, nunca tive o desejo de ser piloto, isso até assusta as pessoas as vezes, pois ao me ver tão envolvido com a atividade e sem saber da minha história fazem de mim um grande ÁS da aviação.


Mas não é bem assim, o mundo aeronáutico em que vivo e domino é o mundo das operações aéreas, a muvuca das atividades de solo e a minha especialidade é a comunicação, em todos os sentidos, desde a operação de equipamentos e coordenação de fonia nos eventos e a apresentação dos voos de esquadrilhas e voos isolados.

A forma com que me comunico com o público em geral me levou a ser um elo de ligação entre esses terráqueos e os nossos pilotos de alta performance, é algo natural para mim, hoje ainda mais depois de tanto tempo.

Mas como disse aqui no início eu queria mesmo é reinventar essa história e fazer algo muito diferente, meu desejo era de ser conhecido pela maioria, e fazer com que o trabalho desses Cmtes fosse mais valorizado e reconhecido.

O meu desejo maior era de poder ter assunto e conhecimento suficiente para o improviso durante uma demonstração contando as verdades sobre esses conjuntos acrobáticos que temos no Brasil, e ver nos olhos das pessoas o prazer de estar participando ainda mais ao entender o que via no céu.

Comecei então a ver o que eu já tinha, e o que serviria para essa nova empreitada, equipamentos de som e transporte, periféricos e equipamentos de apoio, sempre gostei de aventuras e durante a vida consegui guardar muita coisa que usava vez em quando em atividades de campo.

Um dos primeiros itens dessa lista foi o PT-DYNO, meu ônibus que ganhou esse apelido durante o circuito de campeonato de acrobacia, um jeep Niva que foi até citado em matéria na revista Frequência Livre em umas das reportagens do Cmte Juca, e o material todo de áudio que quando montado dava ao ambiente da pista uma bela imagem, até hoje é assim!

Mas o que pegou mesmo foi o lance do saber, como ler aquilo tudo, aquelas cambalhotas sem olhar em nada, ou onde aprender como aquilo tudo funcionava, quem são esses caras, de onde vieram, e esses aviões, e essa história de campeonato de acrobacias aéreas.


Um mundo novo a ser descoberto por mim, e que na verdade foi o grande diferencial entre o antigo jeito de se apresentar um show aéreo e o que existe hoje, não foi fácil, pois no início eu não tinha conhecimento com ninguém, havia recém chegado de um sonho maluco e queria aprender o quanto mais e sem quantia.

As perguntas eram tantas que sei que as vezes quando os pilotos me viam até punham as mãos na cabeça “La vem aquele Vadico fazer mais perguntas “

Hora! Até que fosse apresentado a literatura dessa atividade a minha saída eram as perguntas, e perguntar a quem?

Aos pilotos que voavam essa categoria é claro!

Apesar de toda essa minha disposição em excesso, nunca fui maltratado ou deixado de lado por ninguém, pois fazia isso com o máximo respeito e sempre devolvia muito mais do que esperavam de mim.

Minha dedicação era tanta que por muitas vezes fiquei sem dormir lendo histórias e estudando o Livro Vermelho da acrobacia que o Cmte Richieri me emprestou e me fez muitas recomendações para ter cuidado, já era uma tradução.

Quando abri aquele livro eu perdi a noção do tempo, entrei para dentro daquelas páginas e como um caçador fui armazenando aquelas figuras, linhas, curvas, rools, ângulos, voos invertidos, verticais para cima e para baixo, era o momento onde eu comecei a ver a acrobacia com os olhos que sempre imaginei, “Do chão “

Junto com as pessoas que assistem o show aéreo e não sabem o que está acontecendo, e foi também o momento em que o Richieri acabava de arrumar um baita problema, pois dali pra frente a sequência de perguntas aumentariam ainda mais.

Começaram as atividades da AERO SPORT na cidade de Sorocaba, feira criada pelo Cmte Décio Correia, eu já estava no circuito apresentando alguns voos, e com sabedoria e paciência fui levado até esse momento e apresentado aos demais, onde meu leque de amizades e fontes de ensino começaram a aumentar consideravelmente, foi onde tive a oportunidade de fazer o meu primeiro curso de juiz de acrobacias, e depois em outras oportunidades reciclei e fiz outros mais.

Em minha volta, Carlos Edo, Richieri, Fernando Paes de Barros, Augusto Pagliacci Jr, Tike Bazaia, Pedro Melo, Marta Lucia, Lídio Bertolini, Francis Barros ainda novinho e voando Cap-10, Dell, Gobett, Machado, Tuka, Esquadrilha Acrobática Brasileira, o Hernani era menino e tinha no olhar o brilho mais vibrante para ser um piloto de acrobacias igual a hoje quando se vê esse acrobata pelos eventos, Cesar Albuquerque, Sommer, Paulo Medina, o Cel. Braga no RJ.

A esquadrilha ONIX, Esquadrilha Bruxa, Esquadrilha da Fumaça da FAB sob o comando do Cel. Macri, o Hangar B, o PT-DYNO já era abrigo dessa gente toda e fazíamos grandes festas sempre com muita alegria em volta desse motor home, e ainda mais a família Vetorazo.

Muitos mais passaram por ali e sempre me deixaram um pouco de sabedoria, O Claudio Borges Marina, Monica Edo, Paulo Iscolde, Cristina em Ribeirão Preto, Pedrão e Munei de Bragança Paulista, Juka, Laerte Golveia e o Negão Marcelo Jorge.

Poderia encher esta folha com nomes que marcaram minha vida como pessoas de grande importância até que chegaram os novos, a nova geração, tínhamos quatro etapas de campeonatos no ano e os shows aéreos eram vibrantes e com três, quatro esquadrilhas no céu, a Tchê Conection, e mais os pilotos do sul sempre com grande expressão, André Textor uma explosão de conhecimento da nova geração e a família Venson.

Viajei muito pelo Brasil montei uma estrutura que pode atender a todos os eventos no Brasil e comecei a colher os frutos desse empenho, a aproximação dos eventos militares e a convivência com seus integrantes me renderam admiração e respeito fui a Membro Honorário da Força Aérea Brasileira, narrei os 50 anos do EDA, alias convivo com a Fumaça e a Academia desde os 45 anos do EDA, Esquadrão Pampa, Jaguar, Senta Pua, Pacau, ETA e o Guardião, pessoal do SAR, Escorpião e ensaio em voo.

Os esquadrões de ensino da AFA I e II EIA, voei o T-27 um momento inesquecível em que pude ver o quanto os profissionais da nossa Força Aérea são dedicados e quanto é importante para o Brasil essa aeronave que ganhou o apelido de Tucano.

Já enfronhado nessa atividade e dentro de um macacão de voo da Força Aérea Brasileira, já cruzei os quatro cantos do Brasil e pela Argentina, sempre procurando fazer o melhor esquecendo de mim por muitas vezes para ceder com entusiasmo e empenho a minha voz e o meu conhecimento em favor da nossa aviação geral.

Tenho também paralelo a esta atividade da aviação tripulada o mesmo tanto de histórias e aventuras junto do aeromodelismo, pilotos que com os seus aviões radio controlados levam emoção e conhecimento nesse hobby esporte fascinante.

Verdadeiros ases, vibrantes e perfeccionistas, que exibem seus modelos em voo com muito talento e chegando ao extremo para realizarem voos inesquecíveis, já vi muitos!

Com o passar do tempo, vão chegando as mazelas do destino e por várias vezes assisti acidentes ao vivo, tempo real, destes últimos 23 anos na nossa aviação de demonstração, sem nada poder fazer.

Apenas um gosto salgado na boca, os olhos sem poder ver muito bem devido a emoção, e o peito se racha ao meio e é o fim de mais uma história de sucesso e lutas.

A vida continua e em meados de 2004 a nossa aviação de acrobacia começa a passar por um período difícil, acabam os campeonatos os eventos diminuem consideravelmente, os aviões acrobáticos desaparecem, e não se fala mais nisso.

Andei perambulando pelo que sobrou do circuito aero do Brasil por um bom tempo, nessa hora é que se vê o que você realmente quer, já ouvi falar muito em persistência e dedicação, força e foco, empenho e outras coisas mais.

E então a água bate no peito e você tem que tomar uma decisão, não tive dúvidas virei o nariz do PT-DYNO novamente na proa do meu sonho e completei o que faltava da manete, o motor encheu, e dessa forma rumamos para passar aquela turbulência, o tempo passou e com ajuda de muitos que viram a minha dificuldade naquele instante vazei por essas nuvens pretas e sai para um céu aberto e mais tranquilo.

Já era quase 2008 e devagar foram surgindo as novas ideias e um grupo de pilotos aqui e ali começam a arquitetar novas estratégias para retornar a nossa acrobacia a um lugar mais estável e seguro, a falta da atividade dos campeonatos gerou muitos incidentes e acidentes no meio acrobático, pura falta de informação, pois sem a presença dos mais antigos e experientes não havia troca de conhecimento e foi um período ruim.

Com muita conversa e alguns momentos de reflexão, um pouco de atrito por que não, já vi o movimento mudar e começam novamente a aparecer nos eventos os acrobáticos colorindo o céu.

E por falar em céu, surge a Esquadrilha Céu um tempo depois no Rio de Janeiro, quatro aeronaves, um time de militares da reserva voando os RVs que simplesmente deram um brilho enorme no nosso circuito de aviação, a ideia de fazer voar a sequência que os T-6 da FAB sob o comando do Cel. Braga desenvolviam no céu foi fantástica.


Chega ainda mais gente de peso para o circuito, Sob o comando do Beto Textor, com os dois filhos André e Tiago na ala aponta no azul a Esquadrilha Textor, vibrante e com um display diferente cheio de muita novidade, esses caras chegaram também no momento certo e acordaram de vez o nosso circuito aéreo que passou a ter novamente energia e luz própria.

A esquadrilha da fumaça, o EDA, troca de avião o CBA já está ativo , a ACRO reinicia as instruções de voo acrobático, e com um convite inusitado acontece o primeiro campeonato de acrobacia de competição regido pelo CBA na AFA , juntando os antigos ases na nossa aviação civil ,em um encontro memorável com apoio do EDA e do comando da Academia da Força Aérea Brasileira.

Parecia sonho, e com muito trabalho o Ricardo Soriani juntamente com sua equipe fez a primeira etapa do CBA acontecer com um brilho merecido, era também um renascer de muita coisa, a nova geração de pilotos de acrobacias precisava de um momento como esse.

Encontrar os pilotos que escreveram essas páginas no passado, e que deram ao Brasil a oportunidade de ter um grupo de aviadores em condições de competir em cinco categorias distintas, um juiz internacional foi chamado, John Gaillard, da África do Sul e eu pude rever velhos companheiros da acrobacia e os militares da AFA puderam presenciar uma atividade civil com operação real com a maior segurança.

Dali pra frente demos uma melhorada nas coisas, seguimos em frente eu lembro bem do período em que quase perdemos o controle e haveria um fim nesse meu sonho, que naquele instante já era uma realidade, o circuito de aeromodelismo a todo, novas tecnologias e motores reacendem também o mercado do hobby, turbinas e réplicas de aviões antigos e jatos de caça, são montados, réplicas perfeitas e voos maravilhosos sob o comando de pilotos experientes dessa modalidade.

Pois bem o Brasil reascende a chama da acrobacia, o EDA completa sessenta e cinco anos de atividade, revemos no Brasil os Halcones do Chile, também na festa de sessenta anos do EDA vimos reunidos nossos aviadores acrobatas e o show dos F-18 na AFA, tocamos a vida e estamos em 2019, prontos para iniciar mais uma temporada do circuito aéreo Brasileiro.

Sempre fui intenso e verdadeiro na minha atividade que hoje é profissão, criei um mundo de coisas que poderão no futuro servir de exemplo para quem vier a se dispor nesta atividade de locução aeronáutica, mas o melhor de tudo, e que deve ser sempre o objetivo de quem narra, lembre se que o artista é o piloto em voo, o locutor deve pensar como eu fiz lá no começo como disse aqui, eu sou um elo de ligação entre o público que posso ver e o piloto que também posso ver e ouvir.

Juntar essas coisas é que é o segredo, ser vibrante e ter na ponta da língua a história desse piloto e sua aeronave para contar aos que assistem a demonstração, já vivi grandes momentos em minha carreira, consegui dessa forma e com esse formato de atuação criar um personagem importante para o show aéreo, o narrador, aquele que conduz o show e leva consigo o público, e da emoção na arte de voar, tem o poder de tirar das pessoas aplausos e suspiros de alegria.

Isso só vai acontecer quando o narrador se projetar para dentro do voo e vibrar na mesma frequência de tudo o que está acontecendo naquele momento, mas também o locutor que vai estar conectado ao voo e ao piloto deve ter olhos atentos para o perigo e entender a caligrafia acrobática desses aviadores, cada qual com a sua, e se algo sair do script, de forma tranquila chamar para a realidade o aviador.

Oferecendo a ele segurança e sendo um apoio no solo, o bom narrador no momento do voo passa a ser um membro integrante da segurança de voo, atento aos detalhes e limites de segurança que foram estabelecidos em briefing.

É fascinante essa atividade, e com o tempo vamos criando um vínculo de amizade e confiança entre os integrantes desse grande circo, sei de cada um deles, consigo identificar o ronco de motores, e as vezes de longe já tenho noção de quem vem por lá no horizonte.

A voz e o sotaque na fonia, a forma de chegar chegando, e até mesmo o tempo que cada um desses caras levam para vir tomar um cafezinho no PT-DYNO, são meus amigos, e por eles tenho um grade respeito e gratidão, e confesso aqui que quando vivi os momentos de partida daqueles que já se foram em voo ou não, para mim foi muito difícil.

São sempre lembrados por mim, e como sei de suas histórias uso isso para recordar e matar a saudade contando para o público nos momentos sem atividades no céu, outra coisa importante é o reconhecimento de nossos ases que já estão na reserva por assim dizer, ao vê-los pelos pátios dos eventos são por mim lembrados e também sua história, isso é digno, pois são pessoas que ajudaram a escrever as páginas da nossa aviação e devem receber o reconhecimento de todos nós.

Aos atletas do paraquedismo civil ou militar outra menção de reconhecimento, são esses homens voadores com suas asas de tecido que enriquecem os eventos com seus saltos e pousos de precisão e adrenalina é um show vê-los realizando sua aproximação ou o TRV ou com as bandeiras e faixas, fazendo a festa e apoiando a atividade do show aéreo.

Hoje o nosso espetáculo no céu mudou muito e tem grandes momentos que são de responsabilidade dos nossos ases, um conjunto de conhecimentos diversos adquiridos através do tempo que deu ao nosso show aéreo um pouco mais de profissionalismo.

Agora recentemente a dois anos precisamente nasce o Asa Brasil um grupo de profissionais do show aéreo do qual faço parte que incentivados e com apoio do EDA se reúne e começa a traçar um novo formato para essa atividade, buscando mais recursos e informação e com o apoio do ICAS americano sei que vamos progredir.

É hora de começar a aquecer os motores para 2019, já estamos para receber autorização e decolar e este ano será muito bom com certeza, estamos pilhados e sinto que os aviadores também, é uma nova faze e as portas se abrem novamente para fazermos o que gostamos, voar e se divertir alegrando muita gente e incentivando as novas gerações.

Isto é apenas um pequeno pedaço dessa história de muitos episódios, que foram construídos por muitos, e que cada um deu seu melhor, por esse motivo fica aqui um brado de gratidão e que possamos ainda construir muito mais em favor dessa arte, voar de todas as formas.

Quando estou em minha atividade, ao ver um conjunto acrobático, que seja isolado ou uma esquadrilha, tudo se transforma em arte e emoção, é divertido, não sinto fome nem sede, sinto que devo pôr para fora tudo aquilo que aprendi e procurei saber sobre o que vejo, para realmente incentivar o quanto mais a atividade aeronáutica.

E deixar claro que não existe um vidro entre o aviador e as pessoas que estão do outro lado da cerca, é apenas uma questão de escolha e de dedicação, todos podem, todos, é só buscar, aprender, e se dedicar.

A todos que me acompanham já a tanto tempo meu obrigado, e vamos em frente, aqueles que tiveram a paciência de ler este pequeno relato agora sabem um pouquinho mais dessa bela história. Parabéns.

Saudações a todos e com certeza nos veremos no circuito aéreo 2019.

Fumaça fora.....já !!!

Vadico
Narrador de eventos e esportes aéreos, integrante do CBA, Membro Honorário da Força Aérea Brasileira.

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